FUNDAÇÃO DO ACESITA ESPORTE CLUBE

A fundação do ACESITA ESPORTE CLUBE é uma vertente da história da CIA. AÇOS ESPECIAIS ITABIRA, isto ficará comprovado através do trabalho de pesquisa que fizemos e a coleta de depoimentos.
A Cia. Companhia Aços Especiais Itabira foi fundada em l944 e os trabalhos de sua Implantação, na nossa região, foram iniciados em 1945. Para que isto fosse possível foi recrutada uma grande leve de ex-servidores de uma empreiteira da Cia. Vale Rio Doce que, na ocasião estavam concluindo a construção da Estrada de Ferro Vitória-Minas.
Entre eles estavam: Raimundo de Souza Neto (Mundico do Armazém), Pedro Lana (Seção de Transporte Rodoviário), Vitório Faustini (do Almoxarifado), Milton Ribeiro (da Seção do Pessoal), Ciro Poggiali, Joãozinho Ouro Preto Francisco Lage e Rodolfo Teixeira (da Contabilidade) e Brasileiro Wilkes de Minas (da Topografia). Esta turma engrossada por outro tantos elementos oriundos de outros lugares sentia a necessidade de ter um lazer. Que nos contou a história foi o saudoso Brasileiro, conforme depoimento prestado saudoso companheiro Maurílio Moreira da Revista FATO-ESPORTE por nos editada em 1970:
“Batíamos “pelada” numa área que ficava enfrente a Igreja São José, e  idéia de fundarmos um clube era de todos nós, mas não foi fácil, não. As dificuldades eram grandes, pois faltava tudo e tivemos que dar um “duro danado” para que a idéia foi á frente.”
            “Certo dia – prossegue Brasileiro – após o tradicional “bate-bola”, alguém lembrou que era melhor formamos uma diretoria pois, só assim iríamos conseguir atingir nosso objetivo.  Dali rumamos para a nossa “republica” que ficava ao lado da igreja. Depois de muita conversa. Já que havíamos decidido fundar um clube, o primeiro item  seria a escolha do presidente. Depois de muita conversa, sem que se chegasse a uma solução para o nosso impasse acabei indicando o Dr. Ismael de Oliveira Fábregas, (na ocasião secretário da Gerencia da Usina) que foi aprovado por  todos os presentes, coube-me transmitir-lhe nossa decisão e depois de alguma relutância o Dr. Ismael  aceitou  o cargo. Assim ele foi o primeiro presidente do nosso Glorioso ACESITA ESPORTE CLUBE.
Ainda é o Brasileiro quem fala ”Resolvido o caso da presidência, os demais componentes da diretoria foram escolhidos, ficando assim formada: PRESIDENTE: Dr. Ismael Oliveira Fabregas;   SECRETAÁIO: Manoel Fotografo;  TESOURIRO: Wilson Carneiro; DIRETOR DE FUTEBOL; Brasileiro W. de Minas. TREINADORES;  Mundico e Rodolfo Teixeira.  Nesta mesma reunião ficou definido que as cores do uniforme seriam Grená e Branca, cabendo ao Mundico financiar a comprado uniforme cujo valor foi rateado entre os demais fundadores do clube.”
Apuramos também que no inicio limitava-se a fazer  “jogos-treinos” contra times formados por outros funcionários da empresa como o Sete de Setembro (conhecido como o time do Manoel Barrigada), Antonio Dias e Jaguarçu;. ,Mas com o passar dos tempos, já melhor estrutura, com o plantel renovado (ou reforçado) graças ao apoio recebido dos dirigentes da Empresa que facilitava o “fichamento”  para aqueles que eram “bom de bola”passou a alçar vôos mais altos, passando a enfrentar times de maior expressão das cidades vizinhas como Coronel Fabriciano, Itabira, Nova Era e Governador Valadares.A grandeza do clube que perdura até hoje, com sua majestosa Sede Campestre, tem sua solidez no naipe de  seus presidentes, cuja escolha sempre recaiu numa pessoa de grande expressão do quadro de servidores da CIA. AÇOS ESPECIAIS ITABIRA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Início do Carnaval de Timóteo (Centro Sul)

(1940 / 1950 / 1960)
Contar como eram as festas carnavalescas em Timóteo nas décadas do século XX é tomar nas mãos um livro de memória e ir abrindo suas páginas. O momento é oportuno para que se faça isso, pois o carnaval sempre fez parte de nossa cidade.
No início da década de 1940 poucos moradores de São Sebastião do Alegre (Timóteo) possuíam rádio a válvulas onde podiam ter acesso às notícias, programas de auditório transmitidos ao vivo, novelas, noticiários, diversos, etc.
Quando o carnaval chegava as modinhas carnavalescas eram transmitidas diretamente dos rádios Tupi ou Nacional do Rio de Janeiro, São Paulo e até as emissores de Belo Horizonte. Sabe-se que os moradores doa arraial de Timóteo, Antônio Claudino de Souza, Sebastião Evangelista de Souza (Sebastião Cota), Joaquim Ferreira de Souza foram os primeiros em usar o rádio para ouvir notícias, novelas, novenas, missas e músicas. Durante os dias de Carnaval as modinhas cantadas pela cantora Emilinha Borba (Rainha do Rádio) e outras cantoras da época faziam muito sucesso nas capitais e no interior do Brasil.
No arrial de Timóteo as brincadeiras de carnaval resumiam-se em cantar as midinhas de sucesso em grupos ("pequenos cordões" como se chamavam na época), formado por moças e rapazes, que algumas vezes saiam pelas poucas ruas de terra, Largo da Praça, e entravam no Bar do Trajano (Trajano Quirino Bicalho), cantando. Esses cordões, formados pelos jovens da época, se enfeitavam com roupas coloridas, saias mais longas, calças compridas ou bermudões da época. As moças pintavam o rosto com "ruge" (marca Madeira do Oriente), nos lábios, usavam batom vermelho (marca Michel) e as unhas eram pintadas de esmalte preferencialmente na cor vermelha. O morador "Zué" gostava de se fantasiar de capeta, saindo pelas ruas, entrando nas casas, fazendo medo na meninada.
Durante muitos anos (década de 1950 e 1960), a foliã Jacyra Gomes (filha de Tiéco e Maria Gomes) foi a rainha do carnaval tendo como principais Reis Momos, seu pai Raimundo Martins Fraga (Tiéco), Flávio Pimenta e outros. Jacyra saía da casa de seus pais acompanhada pela comitiva carnavalesca, jogando confetes e serpentinas, onde todos cantavam as modinhas de carnaval. O bloco ou cordão percorria o Largo da Praça (hoje Praça 29 de abril), a rua principal (hoje Avenida Acesita) descia a rua cine Lybamar (hoje Padre Antônio Araújo).
Na década de 1960, o carnaval passou a acontecer nas dependências do Clube Promet, quando os foliões cantavam e dançavam durante os três dias, sob o rítmo de uma banda formada por músicos do lugar. O lança -perfume (frasco de metal dourado onde continha um líquido perfumado em spray) passou a ser usado no final da década de 1950, quando anos mais tarde foi proibido pelo Governo Federal até os dias de hoje. Também na década de 1960 alguns foliões gostavam de pular carnaval no Elite Club e no Clube Olaria 2.

Jacyra Gomes é considerada pelos historiadores como a primeira rainha do Carnaval de Rua e de Salão de Timóteo.
Pesquisa realizada pelo professor Suely Itamar Santiago Silveira
Postado por Casa de Memória


História do Carnaval de Timóteo
O Carnaval é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior a quaresma e, portanto, tinha um significado ligado a liberdade. Este sentido permanece até os dias de hoje no Carnaval.
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em forma de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.
No início da década de 1940 poucos moradores de São Sebastião do Alegre (Timóteo) possuíam rádio a válvulas, onde podiam ter acesso a programas de auditório transmitidos ao vivo, novelas, missas, noticiários e músicas. Os moradores do arraial de Timóteo Antônio Claudino de Souza, Sebastião Evangelista de Souza (Sebastião Cota) e Joaquim Ferreira, foram os primeiros possuidores desse bem.
No período carnavalesco, as modinhas eram transmitidas diretamente das rádios Tupi, Nacional do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. As modinhas cantadas pela cantora Emilinha Borba considerada a Rainha do Rádio na época, faziam muito sucesso nas capitais e no interior do Brasil. No arraial de Timóteo as brincadeiras de carnaval resumiam-se em cantar as modinhas de sucesso em pequenos cordões como se chamava na época, formado por moças e rapazes, que algumas vezes saiam percorrendo as poucas ruas de terra que existia no arrial.
O Carnaval de Rua surgiu na década de 1980, de uma nascida dentro da superintendência de relações Industriais da Cia. Acesita abraçada pelos carnavalescos da cidade e apoiada pela Prefeitura Municipal de Timóteo. Surgiu na época seis escolas de samba, Ala Leste, Unidos do Vale, Unidos da Quitandinha, Os Bocas Brancas, Vai Quem Quer e Mansageiro.
O regulamento redigido pela AEST - (Associação das Escolas de Samba de Timóteo) era simples: tratava dos fins a serem dados aos instrumentos oferecidos pelo Prefeito Geraldo Ribeiro para compor a bateria (3 surdos, 2 contra surdos, 3 caixas de guerra, 4 taróis, 2 triângulos, 8 ganzás, 4 pandeiros, 4 reco-reco, 10 tamborins, 4 agogôs e 1 cuíca).
Cada escola recebeu uma verba do município para animar e levar a avenida muita beleza, irreverência, criatividade e principalmente muita alegria. No ano de 1981 a Escola Unidos do Vale, Ala Leste e Mensageiro não participaram mais do carnaval, migrando para as Escolas que permaneceram.
Falar de festa carnavalescas sem citar o Sr Quincão e Dona Nadir é deixar uma lacuna na História dessa festa que alegra grande parte do povo timotense, quando ainda desfilavam pelas ruas antigas dessa cidade, as modinhas entoadas no rádio cantadas por Emilinha Borba, Angela Maria, Jorge Goulart e outros.


Texto: Sidneiva Paiva Oliveira Silva
Fonte: A História de Timóteo - Centro Sul - Professor Suely Itamar
Carnaval de Acesita teu nome é paixão - Manoelita Lustosa - (Jornal Hora H - 23/01/1983

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PARÓQUIA DE SÃO JOSE

A Paróquia São José foi criada em 1950. A pedra fundamental é datada de 1º de maio. Ela pertencia à Paróquia São Sebastião, em Coronel Fabriciano, que era atendida pelos Padres Redentoristas.
Uma presença marcante na história da Paróquia é a do Monsenhor Rafael, que veio para a Paróquia em 1950, um pouco depois da criação da Acesita, em 1944. Esteve presente até 1958. Ele veio de Mariana, nomeado por Dom Elvécio Gomes de Oliveira, para pastorear os operários da região, que era um número bem representativo.
Monsenhor Rafael trouxe para ajudar na Paróquia as Irmãs da Beneficência Popular, que é uma Instituição criada por ele, na cidade de Alvinópolis. Monsenhor atendia Acesita e Alvinópolis ao mesmo tempo, e contou também com a ajuda de padres auxiliares.
Monsenhor tinha um carisma de congregar, reunir pessoas. Conseguiu que a Paróquia fosse o centro de tudo em Acesita. Neste período, a Paróquia desenvolveu atividades como alfabetização, cursos para os paroquianos de pintura, corte de costura, entre outros.
Em 1953, chega o Padre Abdala Jorge que vem para auxiliar Monsenhor Rafael, para juntos pastorearem o povo de Deus. Durante dois meses também receberam a colaboração do padre José Martins.
Uma das características marcantes da história da Paróquia era a participação ativa dos operários. Havia a Congregação Mariana, com cerca de 180 congregados, sendo todos operários e inseridos nos sindicatos e nas lutas dos trabalhadores.
A Igreja sempre esteve presente nas lutas dos operários, identificando-se com a classe.
Padre Abdala tomou posse em 1958 como pároco, antes mesmo da criação jurídica da Paróquia, que aconteceu em 1961. Foi o Padre Antônio Rocha quem o empossou oficialmente como novo pároco da Paróquia São José.
O primeiro padre que trabalhou com Pe. Abdala foi o Pe. Francisco Barroso, em 1958, hoje bispo de Oliveira. Com a saída do Pe. Francisco veio Pe. José Delfino, hoje bispo de Divinópolis.
Estiveram presentes outros padres que também fizeram parte da história da Paróquia: Pe. Valdir Ferreira de Almeida, Pe. Miranda, Pe. João Bosco Pimente, alguns padre Salesianos, Pe. Marcos Rocha, Pe. Elson, Pe. Elder, Pe. Agnaldo e outros. O Padre Belga Jean Marie está presente na Paróquia desde 1990.
A Igreja sempre esteve a serviço da comunidade.
Os leigos sempre foram atuantes, como os Congregados Marianos, as Filhas de Maria, o Apostolado da Oração, etc.
As comunidades que compoẽm a Paróquia são: Bromélias, Centro Norte, Funcionários, Olaria, Vila dos Técnicos, Quitandinha, Novo Horizonte, Alegre, Santa Maria, Limoeiro, Macuco, Recanto Verde, Celeste, Cachoeirinha, Ana Moura, Novo Tempo, São Cristóvão, Alfhavile, Alvorada e Vale Verde.
Na Paróquia há várias pastorais e movimentos, que, com seus dons e serviços, trabalham para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja, como Pastoral Operária, CEBs, Pastoral Familiar, Vicentinos, Apostolado da Oração, Pastoral da Saúde, Pastoral Vocacional, Catequese, Culto Bíblico, trabalhos sociais e outros.
O maior desafio da Paróquia hoje é conciliar os valores humanos com os valores divinos. Conciliar os valores sagrados com valores humanos. E a marca da Paróquia é que "tudo gira em torno das pessoas".


Colaboração: Pe. Abdala Jorge - Pároco da Paróquia São José de Acesita - Timóteo -

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Distrito de Acesita

Por que propomos a criação do distrito de Acesita e não a sua emancipação para município.


A mudança do nome requer ou uma ação judicial para revalidar o plebiscito de 1979, ou um novo plebiscito que seria realizado pela justiça eleitoral, com posterior aval da Câmara Municipal . Seriam ouvidos todos os eleitores do Município de Timóteo.

A emancipação de Acesita encontrará vários dificultadores, dentre eles :

1- Como Minas Gerais já é o estado com mais municípios do Brasil (853) há uma grande resistência à formação de novas cidades.

2- As áreas dos dois supostos municípios (Timóteo e Acesita) não atenderiam aos requisitos mínimos de extensão territorial mínima exigida por lei, pois grande parcela do atual território de Timóteo é composta pelo Parque Estadual do Rio Doce-PERD que, com o desmembramento, ficaria de posse de apenas um deles, deixando o outro certamente com extensão territorial insuficiente para se constituir em município.

3- Devemos, também, levar em conta que os recursos que já são escassos para o atual município de Timóteo, com uma divisão, seriam ainda menores, o que pouco contribuiria para o desenvolvimento regional.

4- Finalmente, este tipo de situação encontra, naturalmente, muita resistência em função dos aspectos políticos e sociais, pelas diferenças de opinião já conhecidas entre os moradores de Timóteo e de Acesita.

A criação do distrito, por sua vez, se faz por lei municipal, já que a Constituição de 1988 ampliou muito a autonomia dos municípios e não requer plebiscito como condição de validade.

O que vários acesitanos, aqui se expressando, desejam, nada mais é do que a criação de uma identidade formal, já existente na vida cotidiana da população, desde a fundação da usina Acesita, na década de 1950.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

 

Definição de identidades

Criação do Distrito de Acesita, sem o desejo de emancipação, é apontado como alternativa para satisfazer acesitanos e timotenses

A proposta ainda é tratada nos bastidores, mas mexe com raízes históricas, desperta paixões adormecidas pelo tempo e promete dar o que falar nos próximos dias. Os seus fomentadores querem criar o Distrito de Acesita. A proposta é que o distrito mantenha a identidade da população que tem ligações com a cultura industrial, os acesitanos, mas que também mantenha a identidade das pessoas cujas famílias formaram a vila que deu nome ao município, os timotenses. Para quem está de fora pode parecer uma disputa bairrista, apenas. Quem vive o dia-a-dia da cidade e pesquisa as suas origens, compreende a seriedade do assunto. Para se ter uma idéia da disputa, basta ver o resultado da enquete colocada na página do DIÁRIO DO AÇO desde a semana passada, após a confirmação da mudança de nome da siderúrgica localizada na cidade.

Acesitano assumido, o comerciante e advogado com especialização em Direito Eleitoral e Direito Municipal, Humberto Abreu, afirma que não se trata de bairrismo e garante que nada tem contra Timóteo. “Apenas acho que são duas comunidades muito diferentes, com histórias e valores totalmente distintos. O modo que Acesita (cidade) foi planejada, criada e administrada até ser repassada a sua gestão para o município de Timóteo em 1968, 4 anos após a emancipação, 24 anos depois de sua fundação, nos faz uma comunidade sem nenhum paralelo no Brasil. O modo como foi povoada e habitada nos seus primórdios, gente vindo de vários rincões do Brasil e até do exterior, nos deu um perfil demográfico totalmente diferente do panorama de Timóteo, povoado por mineiros de nossa região, principalmente de Marliéria, e que se concentra basicamente nas famílias: Ferreira, Quintão, Araújo, Ulhôa, Castro, Drummond e Paiva”, explica Humberto Abreu.

No entendimento de Abreu, é preciso lembrar que a Vila de Timóteo, quando Acesita foi fundada, não tinha mais que 15 residências concentradas ao redor da atual Praça 29 de Abril. A sua ocupação também se deu após a instalação da usina. Assim, é fácil concluir que não foi a Acesita que veio para Timóteo, e sim Timóteo é que cresceu em decorrência da instalação da Companhia Aços Especiais Itabira-CAEI, razão social da empresa. O projeto da vila industrial de Acesita previa uma cidade de 2.000 habitantes em 1950, enquanto o distrito de Timóteo, à época pertencente a Antônio Dias, só tinha cerca de 200 habitantes.

Um dos pioneiros, o barbeiro Mussolini Maura, 73 anos, conta que o nome Acesita surgiu espontaneamente entre os operários da usina, e depois foi encampado pela empresa. Ontem à tarde, no entanto, Mussolini afirmou que pretende ficar fora de qualquer polêmica. Conta que ficou triste com a mudança do nome da siderúrgica de Acesita para ArcelorMittal e não suporta falar no plebiscito, onde a maioria de Acesita votou pela mudança do nome, mas perdeu para a força política de Timóteo.

O resultado da consulta popular não foi ratificado pela Assembléia Legislativa. Na prática, em 1968, quando os cinco bairros da vila industrial foram incorporados ao município emancipado de Timóteo, esperava-se que a população esquecesse o nome Acesita, atribuído à vila formada pelos bairros Bromélias, Quintandinha, Vila dos Técnicos, Funcionários, Timirim e Centro Comercial. Mas essa expectativa não se confirmou. Pelo contrário, recrudesceu a animosidade entre os dois lados e até hoje provoca confusão.

Distrito no lugar da mudança de nome

A criação do distrito de Acesita - em vez da mudança do nome ou emancipação -, é explicada por Humberto Abreu com a justificativa que a alteração do nome requer ou uma ação judicial para revalidar o plebiscito de 1979, ou forçar um novo plebiscito que seria realizado pela justiça eleitoral. Seriam ouvidos todos os eleitores do Município de Timóteo, em um processo demorado e custoso aos cofres públicos. “Isso sem contar as implicações das resistências em função do bairrismo que existe nos dois lados”, acrescenta.

Já a emancipação de Acesita encontraria vários empecilhos. Humberto lembra que Minas Gerais já é o estado com o maior número de municípios do Brasil (853), fator que engrossa a resistência à formação de novas cidades. Além disso, a emancipação também requer um plebiscito e outras medidas complexas por causa de território e receita. Por outro lado, no caso da emancipação de Acesita, Timóteo perderia toda a arrecadação gerada pela siderúrgica e indústrias do setor metal-mecânico.

Alternativa e facilidades

Conforme Humberto Abreu, a saída então seria instalar o Distrito de Acesita e acabar com as discussões históricas em torno dos nomes. Humberto Abreu explica que a criação de um distrito se faz por lei municipal, já que a Constituição de 1988 ampliou em muito a autonomia dos municípios. A medida não requer plebiscito como condição de validade. “Há muitos argumentos de ordem prática que justificam a criação do distrito de Acesita, agora sem o impedimento de se usar o nome de uma empresa, mas um nome consagrado pela cultura de um povo. Como argumento contra as resistências, podemos dizer que apenas queremos a nossa identidade, sem cassar a identidade daqueles que se sentem timotenses, coisa que sempre fizeram conosco”, dispara o advogado.

Na proposta de criação do distrito de Acesita, Humberto defende a partir de agora um movimento de sensibilização de um pequeno grupo, que ficaria responsável por fornecer dados históricos, culturais e argumentos para despertar a curiosidade e adesão das pessoas em torno do assunto, derrubar mitos e esclarecer sobre as raízes históricas dos nomes de Acesita e de Timóteo. “Se faltassem vereadores para apresentar um projeto de lei neste sentido, seria fácil encontrar 2% das assinaturas dos eleitores do município, suficientes para apresentar à Câmara Municipal, um Projeto de Lei de Iniciativa Popular”, conclui Humberto Abreu.

O distrito de Acesita abrangeria todos os bairros da antiga vila industrial, e ainda as regionais dos bairros Ana Moura e Alegre. A divisa com o município de Timóteo seria entre os bairros Timirim e Primavera.

Fonte: Jornal Diário do Aço, 03/10/2007

 

Uma cidade, dois nomes

Documentário da região retrata a dupla identidade de Timóteo

A interminável polêmica em torno da denominação Timóteo/Acesita é tema do mais recente trabalho do documentarista Sávio Tarso, intitulado “Duplicidades”. O filme foi lançado na quarta-feira, em Timóteo. A produção é resultado de um Projeto de Iniciação Científica (PIC) do Unileste-MG, desenvolvido em 2004 pelos alunos Poliana Lima Ribeiro e Alex Locha, de Jornalismo e História, respectivamente.

A pesquisa foi orientada pelos professores Sávio Tarso e Jezulino Lúcio Braga, que assinam, respectivamente, a direção e a pesquisa histórica do documentário. Além dos dois graduandos, que já concluíram os estudos, a produção do documentário também contou com colaboração de outros 15 alunos do curso de Comunicação Social.

Apesar da extrema coincidência, “Duplicidades”, finalizado depois de mais de três anos de trabalho, é lançado em um momento mais que fértil para discussões. Recentemente, a polêmica sobre as duas identidades voltou à tona. Isso porque há pouco mais de um mês a Companhia Acesita mudou seu nome para ArcelorMittal Timóteo.

Argumentações à parte, o historiador Lúcio Braga acredita que a recente mudança da marca da empresa não influirá no conceito que a população tem sobre a siderúrgica. “A meu ver, as pessoas do município não têm identificação com esse novo nome. Acredito que continuarão a se referir à siderúrgica como Acesita. Afinal, a usina foi formadora da identidade cultural da cidade”, opina.

Sobre o documentário, Lúcio Braga explica que o projeto surgiu da necessidade de levantar a história de Timóteo e a percepção da população sobre as transformações do espaço urbano. “Além disso, buscamos discutir as formas que a narrativa assume no mundo contemporâneo”, explica o professor do curso de História.

Ainda que a questão da mudança do nome da antiga siderúrgica Acesita seja recente, o processo de produção de “Duplicidades” revelou que o assunto ainda está vivo na memória dos habitantes da cidade. “Quando iniciamos a pesquisa histórica sobre a percepção das transformações da cidade, percebemos que o plebiscito para mudança do nome da cidade era um ponto forte na memória das pessoas com quem conversamos. O fato era narrado incessantemente”, revela o professor.

O plebiscito se estendeu por dois anos (1979 a 1981). Naquela época, por pouco o nome da Companhia Acesita não deu nome à cidade. A votação popular pela mudança de nomenclatura foi expressiva. Exatos 12.861 habitantes optaram pela alteração. Em contrapartida, 4.908 desejavam que o município continuasse a ser conhecido como Timóteo. Apesar de aprovada pela população, era necessária a ratificação da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, mas os deputados rejeitaram a decisão manifestada nas urnas.

De acordo com Lúcio Braga, como o próprio nome do documentário sugere, a obra retrata a história da cidade sob a ótica de duas identidades: Timóteo e Acesita. “A identidade Timóteo é formada no final do século XIX, com a questão da terra, da produção agropecuária. Com a chegada da empresa siderúrgica Cia. Aços Especiais Itabira, em 1945, uma nova identidade é formada, forjada pelos operários de fora e pelo aço”, contextualiza o professor.

Segundo ele, as duas identidades encontraram, ao longo dos anos, formas diferentes para significar a cidade. “Por isso, hoje em dia uma parcela da população designa um parte geográfica da cidade como Timóteo (centro-norte) e a outra como Acesita (centro-sul)”. Para a produção do documentário, foram entrevistados personagens considerados anônimos. “Nós procuramos ouvir os sujeitos anônimos, que não são líderes políticos ou religiosos, mas que também vivenciaram toda a história. Pessoas que representam uma parcela da população que muitas vezes tem menos visibilidade”, pontua Lúcio.

Embora narre a história de uma cidade específica, Tarso acredita que o documentário aborda uma temática universal. “Isto porque discute questões como identidade local, o processo de significação das pessoas e das identidades múltiplas. É um documentário que vai interessar ao global, porque aborda o local, o significado que as pessoas dão ao espaço, o resgate dos sujeitos anônimos, por meio da história oral”, revela.

Fonte: Jornal Diário do Aço, 03/11/2007